terça-feira, 13 de novembro de 2007

Não é um desabafo, é apenas cansaço..

Eu não suporto mais essa solidão que se instala dentro de mim quando não te tenho.
Eu me pergunto se alguma vez te tive de verdade. E não sei responder direito a essa pergunta.
Nossa estória não era pra durar tanto tempo assim. Nossa estória não era nem pra ser uma estória.
Foram tantos momentos em que desejei não pensar em você, não te querer, não te desejar. Cheguei a me despedir de você diversas vezes, sem que você soubesse. Quantas vezes implorei a Deus que te tirasse do meu corpo, da minha pele, da minha alma, das minhas noites e dos meus dias, da minha respiração e do meu olhar. Você não podia ser meu, não podia e não queria. Eu nunca perguntei nem entendi suas vontades, sua transgressão, suas ânsias. Você que tinha tudo e ainda assim me queria.
Não, você não sabe como eu evitei você. E eu sei como você fazia para me encontrar, suas desculpas, suas estórias, suas palavras. Eu me deixava enredar na sua teia porque vivia você.
Você fez muito por mim. Me fez mulher.
Hoje eu sou seu brinquedo. Sei disso. Aquele preferido, que fica em uma caixinha, que só você conhece. Quando dá vontade você brinca e depois que cansa guarda ali mais uns dias.
Quase acreditei que você podia ser meu... há poucos dias pensei ver nos seus olhos o que antes não ousava nem imaginar. Logo quando eu já me acostumava com a idéia de que para estar com você teria que ser sempre assim, esse jogo do contente. Isso bagunçou tudo e já não sei mais o que sou capaz de suportar. Por que senti que te queria mais do que tudo. Senti que não é a toa que sou melhor quando estou com você. É através dos seus olhos que consigo ser mulher, musa, bela. É através dos seus olhos que gosto de mim. Ainda é por você que erro meus caminhos de todos os dias, ainda é para você meu último pensamento antes de pegar no sono. Ainda é para você que escolho a lingerie do dia, mesmo sabendo que não vamos nos ver. Ainda é para você que quero falar sobre o livro que comprei, a poesia que li...
As coisas já voltaram para os seus lugares, o seu olhar continua o mesmo, eu continuo sendo seu brinquedo. Mas eu, que já tinha colado os meus caquinhos internos, voltei a quebrar. E agora não sei como vou fazer pra consertar...

8 comentários:

André Moinhos disse...

Isso me lembrou do filme do Toy Story quando o Woody foi trocado pelo Buzz lightyear!

Todos nós queremos ser "o brinquedo preferido"! Quando não somos ou somos deixados de lado por um brinquedo mais legal é chaaaato!

Só temos duas opções: Ou mudamos de casa para alguém que nos faça ser o "preferido", ou aceitamos a prateleira, o baú... rs

Se quebrar, conserta novamente. Sempre tem um jeito. Não é a primeira vez e não vai ser a última...

Beijocas

Paola a Estranha disse...

Nossa li seu texto e fiquei aqui muito encantada com cada palavra sua!
Tão bonito e profundo.
Querida, concordo muito com o André!
Muitos beijos querida

doedinha@sapo.pt disse...

Minha flor, lembrei de um trechinho de um poema do Oswaldo Montenegro: "Que não seja preciso mais do que uma simples alegria para me fazer aquietar o espírito.E que o teu silêncio me fale cada vez mais.Porque metade de mim é abrigo, mas a outra metade é cansaço...E que minha loucura seja perdoada.Porque metade de mim é amor e a outra metade...também."

Lindo, né?! Eu sinto assim. E depois, muitas vezes, muitas, a gente se vê mais bonita dentro do olho do outro, porque consegue ver refletido nele a nossa própria imagem. Você não é um brinquedo, você é a alma, meu bem, a alma da boneca, lembra?! Aquela vozinha que a gente fazia quando brincava de Barbie, a boneca é só um instrumento, você é ENORME...

Um cheiro bem carinhoso

a calma alma má disse...

=> Andre: não assisti ainda, talvez no feriado. Consertar eu sei que tem, o que não sei é por onde começar.

=> Paola: minha profundidade está se confundido com as profundezas neste momento.

=> Dô: ôxe menina, meus olhinhos se enxeram d'água. Sabe, às vezes a gente se mistura tanto com o outro que esquece um pouco de como a gente é..

André Moinhos disse...

@Alma

Minha sábia vó de Curitiba sempre me diz pra tratar os problemas como quando se come o mingau! (sim eu AMO comer mingau da minha vó, mesmo sendo um burro velho!)

"Vai pelas beiradas. Está frio e não dá tanto trabalho. Aos poucos vc chega no centro que vai ser mais difícil e tem que ter mais paciência..."

E não é que dá certo?! rs
Começa a consertar por onde é mais fácil. E vai doer menos... aos poucos vc chega no "centro"... até lá já vai ter esfriado um pouco!

Beijocas

a calma alma má disse...

=> André: vovó é sábia mesmo, me empresta ela um pouco? Acho que tô precisando de colo. Obrigada querido, eu tenho tanta pressa às vezes que é difícil ter paciência e esperar o tempo certo de acalmar as dores. Beijinho

Nil Brito disse...

Ai, ai, ai... já passou por isso... Não é fácil. Mas a gente supera. Tem que superar pra ir em frente. Às vezes demora muito, muito tempo.

abs do nil

Nil Brito disse...

digo: "já passei por isso".