que ironia.
estou afônica.
aprende!!!
terça-feira, 10 de novembro de 2009
domingo, 8 de novembro de 2009
Não falar.
Assunto. Eu tenho muito assunto.
Tenho tanta coisa pra dizer.
E pra perguntar então?
Sempre tenho um "por que?" guardado no bolso pronto para ser jogado sobre uma pessoa indefesa.
Falta-me mesmo é memória. Por que na mesma medida que aprendo, esqueço. Não guardo muitas informações, acho que tenho limite de espaço no cérebro.
Mas tenho muita opinião.
A questão é colocar pra fora. Se eu não ligasse para o que pensam de mim eu falava mesmo o que pensava. E o que achava ( o que significa não ter certeza). Mas eu ligo. Muito. Fico querendo que gostem de mim, que me aceitem, que me achem legal, bacana, inteligente e todos os adjetivos que não consigo pensar agora. E aí não quero falar nada que possa arruinar isso. Tá, sei que é impossível. Por que de fato, sou inteligente, não um gênio, mas me viro. E sei que ser unanimidade não existe. Mas a grande conquista é não ser uma e ficar bem com isso. Falar o que se pensa é tão forte e tão incerto porque é como jogar um bumerangue e ficar esperando o que ele vai trazer de volta. E ele certamente volta para você, às vezes da mesma forma que foi, na mesma intensidade, seco, vazio. Mas e quando você o recebe de uma forma diferente da que o enviou? Acho que no fundo buscamos isso, efeitos.
Eu tenho medo dos efeitos. Eu ainda não sei como lidar com os efeitos, do que eu digo, do que eu penso, de não ser amada, de não ser boa, de não corresponder, de não ser aceita.
Engraçado isso. De repente percebi que passei a vida inteira calada para evitar uma coisa que aprendi em casa.
Tenho tanta coisa pra dizer.
E pra perguntar então?
Sempre tenho um "por que?" guardado no bolso pronto para ser jogado sobre uma pessoa indefesa.
Falta-me mesmo é memória. Por que na mesma medida que aprendo, esqueço. Não guardo muitas informações, acho que tenho limite de espaço no cérebro.
Mas tenho muita opinião.
A questão é colocar pra fora. Se eu não ligasse para o que pensam de mim eu falava mesmo o que pensava. E o que achava ( o que significa não ter certeza). Mas eu ligo. Muito. Fico querendo que gostem de mim, que me aceitem, que me achem legal, bacana, inteligente e todos os adjetivos que não consigo pensar agora. E aí não quero falar nada que possa arruinar isso. Tá, sei que é impossível. Por que de fato, sou inteligente, não um gênio, mas me viro. E sei que ser unanimidade não existe. Mas a grande conquista é não ser uma e ficar bem com isso. Falar o que se pensa é tão forte e tão incerto porque é como jogar um bumerangue e ficar esperando o que ele vai trazer de volta. E ele certamente volta para você, às vezes da mesma forma que foi, na mesma intensidade, seco, vazio. Mas e quando você o recebe de uma forma diferente da que o enviou? Acho que no fundo buscamos isso, efeitos.
Eu tenho medo dos efeitos. Eu ainda não sei como lidar com os efeitos, do que eu digo, do que eu penso, de não ser amada, de não ser boa, de não corresponder, de não ser aceita.
Engraçado isso. De repente percebi que passei a vida inteira calada para evitar uma coisa que aprendi em casa.
domingo, 1 de novembro de 2009
Eles
Ela se achava feia. Ele dizia que ela era a mulher mais linda do mundo.
Ela se achava gorda. Ele achava ela gostosa.
Ela queria se apaixonar de novo. Ele se declarou apaixonado por ela.
Ela não namorava há anos. Ele a pedia em namoro todos os encontros.
Ela queria ser conquistada. Ele não desistiu dela mesmo depois de tantos nãos.
Ela se sentia sozinha. Ele não conseguia ficar sozinho.
Ela queria alguém que pudesse admirar. Ele a admirava.
Ela tinha tantos problemas e queria contar isso pra ele. Ele tinha tantos problemas e não queria que ela soubesse.
Ela queria dizer que era a pessoa errada, que precisava de estabilidade, que já tinha a própria loucura para administrar. Ela sabia que sua própria tristeza já era demais para qualquer relação. Era ela quem queria pedir colo, quem procurava pés no chão, quem precisava de segurança.
Ele disse que fazia tudo errado. Ele contou o passado, falou dos medos, dos médicos, dos remédios. Falou das outras mulheres da sua vida, dessa e da outra. Falou que não dormia mais à noite, falou que só sobrevivia e que procurava seu porto seguro. Falou olhando pra ela. Olhou pedindo a ela. Pediu suplicando a ela.
De repente, ela percebeu que era ele. Por isso não conseguia se mexer. Não podia ser o porto seguro. Nem conseguia fugir dali. Ela era ele.
Ela se achava gorda. Ele achava ela gostosa.
Ela queria se apaixonar de novo. Ele se declarou apaixonado por ela.
Ela não namorava há anos. Ele a pedia em namoro todos os encontros.
Ela queria ser conquistada. Ele não desistiu dela mesmo depois de tantos nãos.
Ela se sentia sozinha. Ele não conseguia ficar sozinho.
Ela queria alguém que pudesse admirar. Ele a admirava.
Ela tinha tantos problemas e queria contar isso pra ele. Ele tinha tantos problemas e não queria que ela soubesse.
Ela queria dizer que era a pessoa errada, que precisava de estabilidade, que já tinha a própria loucura para administrar. Ela sabia que sua própria tristeza já era demais para qualquer relação. Era ela quem queria pedir colo, quem procurava pés no chão, quem precisava de segurança.
Ele disse que fazia tudo errado. Ele contou o passado, falou dos medos, dos médicos, dos remédios. Falou das outras mulheres da sua vida, dessa e da outra. Falou que não dormia mais à noite, falou que só sobrevivia e que procurava seu porto seguro. Falou olhando pra ela. Olhou pedindo a ela. Pediu suplicando a ela.
De repente, ela percebeu que era ele. Por isso não conseguia se mexer. Não podia ser o porto seguro. Nem conseguia fugir dali. Ela era ele.
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
Lembranças
A menina era pequena. Não mais que uns oito ou nove anos.
Mas era mesmo pequena.
Por conta de seu tamanho já tinha visitado bons médicos, incluindo alguns dos maiores especialistas em crescimento.
O veredicto sempre unânime, preocupava os pais, apesar de não fazer parte das coisas que a menina era capaz de entender.
Num dia de férias, na casa dos avós, a avozinha sentou no degrau da escada, lado a lado com a menina, pegou as mãozinhas entre as suas, examinou bem e segredou: não se preocupe, você tem os dedos longos, você vai crescer.
A menina achou aquilo tão engraçado, não entendeu, mas não era de ficar perguntando coisas pra gente velha.
Hoje aquela menina cresceu. Na idade e no tamanho. E está usando sua mão de longos dedos para dar seu último adeus à avozinha que resolveu ir embora sem se despedir.
Foi embora ontem, pequenininha, encolhidinha com o peso do tempo que passou. Como era sabida aquela velhinha.
Mas era mesmo pequena.
Por conta de seu tamanho já tinha visitado bons médicos, incluindo alguns dos maiores especialistas em crescimento.
O veredicto sempre unânime, preocupava os pais, apesar de não fazer parte das coisas que a menina era capaz de entender.
Num dia de férias, na casa dos avós, a avozinha sentou no degrau da escada, lado a lado com a menina, pegou as mãozinhas entre as suas, examinou bem e segredou: não se preocupe, você tem os dedos longos, você vai crescer.
A menina achou aquilo tão engraçado, não entendeu, mas não era de ficar perguntando coisas pra gente velha.
Hoje aquela menina cresceu. Na idade e no tamanho. E está usando sua mão de longos dedos para dar seu último adeus à avozinha que resolveu ir embora sem se despedir.
Foi embora ontem, pequenininha, encolhidinha com o peso do tempo que passou. Como era sabida aquela velhinha.
terça-feira, 20 de outubro de 2009
Sem texto.
Por onde andam minhas palavras? Onde está minha voz? Tem tanta coisa passeando, correndo, dentro de mim. Meu vazio está cheio, mas não gosto do que tenho. Tenho as mesmas dores de roupa nova e outras para fazer companhia. Perdi o jeito de dar forma ao conteúdo porque não consigo mais criar letras das incertezas. Ou não consigo mais lê-las.
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