quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

belém


Onomatopéia danada essa.
Passo os meus dias e algumas horas das noites cogitando se algum dia vou viver isso outra vez.
É, esse assunto tem sido meio recorrente nas minhas pirações. Admito que não me ajudo muito, não exponho minha figura tanto quanto deveria, ou tanto quanto me recomendam, mas de qualquer forma, quando isso acontece, quando saio da toca, não consigo ter olhos predadores. Não sei perscrutar um ambiente em busca do belo, do atrativo, do recomendável. E isso deve atrapalhar.
Ainda assim, eventuais encontros sacodem a poeira dos meus instintos femininos. Mas em nenhum deles posso usar a metáfora que representa o que mais quero sentir. Nenhum deles “fez belém”.
Ontem recebi uma mensagem totalmente inesperada no meu celular. De um homem que conheço há dois anos ou três anos, não sei bem. Amigo de amigos, ele é estrangeiro, não mora no Brasil, fez duas visitas ao país, a última no ano passado. Nas duas vezes que ele esteve aqui demonstrou interesse, pra dizer mais sutilmente. Mas da minha parte ficou só na amizade.
A mensagem que ele me mandou ontem me deixou extremamente surpresa. Era de uma poesia, de uma intensidade.. Acho que qualquer mulher desejaria ouvir algo tão belo. Assim que li tive uma crise de choro. No meio do trânsito, indo pro trabalho, chorando igual criança. Seria tão mais fácil se eu me apaixonasse por ele, se eu conseguisse (e eu tentei) gostar de quem gosta de mim. Mas e o maldito belém???
Não quero errar de novo, não quero mais ficar com uma pessoa que gosta de mim por achar que isso é o máximo que a vida vai me dar. Quero que faça belém.
Ainda me lembro da última vez que isso me aconteceu, da espera, da angústia da incerteza, do beijo inesperado, do blecaute que tive quando fui beijada, sentindo o mundo desaparecer por alguns momentos e quando abri novamente os olhos não sabia nem onde estava. Não sei se a vida vai me dar essa chance de novo, só sei que ainda é difícil esquecer quem me fez sentir tudo isso. Por que é isso que busco, intensidade. A mesma que eu tenho. A mesma que eu sou. Ainda quero poder dizer de novo: fez belém.

2 comentários:

Murdock disse...

A última versão que eu tinha ouvido pra esse belém foi 'ver borboletas'. Fazer o que, as pessoas ficam esperando sempre isso e só um dos lados sente, raramente os dois. Curiosamente vejo mais os homens abrindo mão de certas coisas do que as mulheres.

Adao Braga disse...

Não quer errar? É fácil, é não fazer nada, mas, isto eu garanto, é um erro!