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quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Bruna

Bruna não se importava com ele.
Ele estava casado agora.
Mas pra ela não fazia diferença.
Aliás, ela até preferia assim.
Eles tinham ficado juntos poucas vezes. Sempre por iniciativa dela.
Ele foi uma conquista. A primeira. Um pequeno troféu que ela levou pra casa.
No começo até havia um certo interesse. Mas ele era tão centrado em si mesmo que ela se cansou.  Teve preguiça.
Serviu para duas ou três vezes. Ela gostou de ser a caçadora. De mandar nele.
Mas quando ele veio com aquela conversa do seu casamento, ela não se zangou. Viu o jeito de sair por cima. Não que ela se importasse.
Ele implorou que ela não fosse embora. Pediu em desespero que ela suportasse aquela situação.
Bruna não podia. Nem queria.
Hoje ela ri dele. Dos emails e mensagens de súplica. Ele diz que sente falta dela. Ela diz que sente falta dele.  Que quer ele só pra ela. Que arde de saudades. Que tem passado noites insones sofrendo de desejo e de lembranças.

Bruna não tem insônia.  

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Tem carta pra vc

Você me deixou com fome.
Abriu em mim um apetite que guardei esquecido.
Tenho fome de você agora.
Sabe aquela coisa que a gente experimenta um dia, gosta tanto que até passa mal de tanto comer?
Como quando a gente toma uma bebida boa demais, daquelas que não dá vontade de parar, e que quando circula no sangue, muda todo o jeito que a gente sente, vê, se comporta e até pára de pensar um pouco..
Quero você. E não quero.
Quero te ajudar a cumprir as promessas que você me fez. Quero que você desarrume meu cabelo, me abrace até eu pedir pra você parar, me encoste naquela parede da sala. Da sua sala.
E não quero. Porque se eu te deixar começar não vou conseguir parar.
Quero te impedir. E não quero.
Quero que você não me peça licença, quero que você entre sem ter sido convidado, quero que você durma sentindo o cheiro do meu perfume, quero que acorde lembrando do zíper do meu vestido florido.
Quero que você abandone o que conhece, que aprenda nosso idioma, que me mande mensagem no meio da noite porque te tirei o sono.
Quero tudo isso. E quero você. Porque há muito não sentia tanta fome. Essa fome.
Quero te dizer tudo isso. E não vou. Porque quero que você arranque essas palavras de mim. À força. Quero que se aposse de mim, da minha vontade, dos meus dias, das minhas noites.
E você pode. Se quiser.