terça-feira, 29 de julho de 2008

Zero de Sex Appeal


Passei uma boa parte do meu ano passado desejando ter uma relação daquelas onde a gente anda de mãos dadas, vai ao cinema, sai num domingo à tarde apenas para passear no parque.
O significado de “mãos dadas” tinha a ver com o oposto das relações que eu vinha vivendo: olhares furtivos, volúpia, faíscas a um simples roçar de braços, mensagens nas madrugadas, msn nas tardes, encontros não tão casuais, reencontros cheios de saudades, distância, segredos.
Principalmente distância e segredos. Não que no final das contas existisse alguma coisa que devesse ficar escondida, mas simplesmente não havia intenção de ser assumida. E tudo vivido com tanta intensidade e desespero que nos momentos de solitude eu me perguntava se havia algum problema comigo ou se andava passando alguma mensagem errada ao sexo oposto... Afinal, que mal havia em andar de mãos dadas? Por que sempre esse fogo? Não que eu estivesse reclamando, claro que não... Mas só isso, o tempo todo... será que eu não era mulher pra sentar pra conversar, pra dividir, compartilhar? Tantas e tantas vezes fiquei pensando nisso...
Eis que hoje, me vejo num almoço com amigos... meses se passaram desta época que citei. Minha vida anda calma, calmíssima, parada, um marasmo mesmo. Nem mãos dadas nem a volúpia de outrora. As relações de que falei não perduraram, todas mal resolvidas, mal acabadas.
Voltando ao almoço.. estávamos eu, mulher, solteira, um amigo casado, que se autointitula “pegador” e outro amigo gay, que está namorando já há um bom tempo.
O papo na mesa era sobre amizade X sexo. O meu amigo casado defendia que existem as amigas que você pode pegar e só isso e as amigas “irmãzinhas”. As amigas que você pode pegar, você pega e só, não se relaciona, não conta da sua vida, não leva pra jantar, não tem conversa.
Eu e o amigo solteiro estávamos dizendo que era difícil manter essa distância, por que você pega uma vez, mas aí é bom e você quer repetir, e quando percebe já está querendo sair “de mãos dadas”.
O casado “pegador” insistiu na posição inicial e disse que se quisesse conversar, ele preferia me convidar pra jantar, por que eu era irmãzinha, ele me respeitava, não tinha problema nenhum e afinal não rola atração nenhuma.
O papo continuou um pouco mais sobre esse assunto, mas pensa que eu ouvi?
Passei mais de um ano tentando entender por que as relações que eu vivia estavam muito fortemente embasadas no apelo físico e hoje quando escutei meu amigo pegador falar que não tinha nem um pinguinho de atração por mim não consegui nem ouvir o resto da conversa.
Irmãzinha???? Amiguinha???
Hello???? Aqui dentro deste corpitcho mora uma mulher, não tá vendo não?
Sou legal, divertida, mas ainda sou mulher viu?
Pelo jeito ando com zero de sex appeal.

10 comentários:

Anônimo disse...

Irmã, você quer mesmo que eu comente???? (risos!)fefe

abb disse...

Aos 16 de idade um amigo me aconselhou:

- Nunca tenha amizade com as amigas de suas irmãs, nem seja amigo demais de sua vizinha, nem amigo daquela que você não quer como amiga!

Isso vale para ambos!

LindaRê disse...

Bom.
Eu acho q isso é coisa da sua cabeça. Ignora.

Beijos

Murdock disse...

Já me disseram que chamar mulher de irmãzinha é igual chamar homem de fofo, coisa que eu odeio por sinal.
Eu não consigo fazer tanta distinção assim entre minhas amigas, a não ser que ela tenha zero sex appeal ou seja namorada de amigo, se não sempre vejo minhas amigas como mulheres também, afinal, é o que elas são. Se daí eu vou partir pra algo mais ou não são outros quinhentos, existe respeito na parada também.

Anônimo disse...

Aff! Mulher!
Assim como a Rê penso ser coisa da sua cabeça.
Também tenho amigos que considero irmãos.
Segredo: alguns são bonitos, mas não serve para namorar, entende?
Amigo e só senão acaba a amizade...

Você é linda, já vi sua foto com o Oscar...
Para de show!
*hunf*
beijo,
Paola.

amália :) disse...

noooooossa, somos duas!
o que vc sentiu no ano passado, está se passando comigo.
=/

Marina Mah disse...

é, menina...
acho q somos parecidas.
Identifico*

beijo de cá!

Garotas de Vinte e Poucos disse...

Adorei o blog...
Quem sabe um dia os homens entendam que mulher odeia esse tipo de comentário.
Dá uma passadinha lá no garotas...
beijoca, vou voltar sempre!!
*Mimi*

Carla Esposito disse...

entendo perfeitamente o que vc descreve.
a estoria se repete
não é coisa da sua cabeça ... é da deles.

Tudo ou nada ... disse...

Bastante tempo sem vir aki e quando venho dou de cara um texto deste,totalmente direto e direto rsrs... estou passando por esta fase de namorar, sair para o cinema, comer pipoca juntos etc... muito bom
Bjos